Esteio — RS
Patrick Chagas
Patrick Chagas cutelaria artesanal
Patrick Silva das Chagas assina Patrick Chagas cutelaria artesanal em Esteio. Faz gaúcha tradicional, cozinha, caça e pesca, cutelo, campeira.
- Gaúcha tradicional
- Cozinha
- Caça e pesca
- Cutelo
- Campeira
Patrick Silva das Chagas vive em Esteio, no Rio Grande do Sul, e depois do expediente numa empresa do ramo automotivo segue para a oficina no fundo do quintal de casa. Foi lá que, num domingo de março de 2018, decidiu enfim usar uma lâmina de inox que tinha comprado num ferro-velho e deixado guardada por quatro anos.
“Certo dia fui até um ferro velho, comprei uma lâmina de inox e trouxe pra casa, só que essa lâmina ficou guardada por 4 anos. Uma certa vez, era um domingo de manhã, levantei, fiz o esboço de uma faca, marquei a lâmina, cortei, e daí em diante nunca mais parei. Março de 2018 foi o marco do começo dessa arte.”
Do ferro-velho à oficina do fundo do quintal
Antes da primeira faca, Patrick já tinha as mãos em aço: fazia arte provençal, os aços torcidos, e tinha estudado mecânica com foco em metais e ligas. Também era churrasqueiro, já tinha feito espetos e levantado uma churrasqueira de tijolo e barro em casa — foi nesse caminho que surgiu a ideia de fazer a própria faca. A primeira peça pronta foi mostrar para um amigo churrasqueiro, que já pediu outra.
“Ali já comentei: tchê, não sei se vou conseguir fazer outra”
Ele conta que aprendeu sozinho, estudando dureza, têmpera e revenimento por conta própria, e foi se aperfeiçoando com os erros e trocando experiência com outros cuteleiros. A faca mais difícil que já fez foi a segunda, numa liga stellite 6, material usado em corrente de motosserra, rico em cobalto, tungstênio e cromo — o desbaste foi difícil por causa da dureza do material.
Aço, cabo e têmpera
Patrick trabalha com aço 1090, 5160, 52100, inox 420 e também parte para damasco. Os cabos saem em madeira, alpaca, chifre e osso. Faz gaúcha tradicional, faca de cozinha, caça e pesca, cutelo e campeira, e reconhece na gaúcha bicuda de 10 ou 11 polegadas, em aço carbono, com cabo em formato de caixãozinho, o modelo que mais o identifica.
Ele mesmo cuida de todo o processo, da forja à têmpera, e só compra o aço já em barra:
“Faço todo o processo, única coisa eu compro o aço fora, e por conta de tempo e por ainda não ter uma prensa eu compro as barras de 5160 prensadas brutas e 52100, os braços já não dão mais conta de forjar tudo na marreta”
Uma faca mais simples leva de um a dois dias; uma integral com colarinho esculpido pode levar uma semana inteira de trabalho. Além de facas, também faz parrillas uruguaias e argentinas e algumas peças de arte em aço.
Encomendas
Quando o pedido é personalizado, o cliente costuma já chegar pedindo uma gaúcha, e Patrick procura deixá-la o mais próxima possível do padrão bicudo de 10 ou 11 polegadas, cabo de preferência em guajuvira e bainha em couro cru costurada com lonca — esse último serviço ele terceiriza.
Uma encomenda que ficou guardada na memória foi a de um cliente filho de uruguaio, que queria uma faca para se identificar com o pai já falecido. Ele trouxe moedas uruguaias e pediu que uma delas, com o busto de Artigas, fosse embutida no cabo. A faca saiu de um sabre de motosserra, cabo em madeira de cerejeira, no formato gaúcho de 11 polegadas.
Hoje as peças de Patrick já saem também para fora do Rio Grande do Sul.
A oficina e as peças
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