Sertão Santana — RS
Jonathan T.
JH Facas
Jonathan Schwalm Trescastro assina JH Facas em Sertão Santana. Faz gaúcha tradicional, churrasco, cozinha, caça e pesca, canivete, cutelo, campeira, sorocabana.
- Gaúcha tradicional
- Churrasco
- Cozinha
- Caça e pesca
- Canivete
- Cutelo
- Campeira
- Sorocabana
Jonathan Schwalm Trescastro faz facas no fundo do quintal de casa, em Sertão Santana, RS. É técnico em eletrônica, mas hoje vive só de cutelaria. A primeira faca saiu quase por acaso: nos fins de semana ele ia até a oficina do sogro — hoje sogro, então namorado da filha — e num desses dias, fazendo manutenção numa Kombi, trocou as molas do veículo. Alguém comentou que aquelas molas dariam boas facas.
Ali a faísca já virou fogo, e como na oficina já tinha esmerilhadeira e outras ferramentas, fiz a primeira durante 2 fins de semana, depois toda semana alguém queria uma.
Foi assim que começou uma jornada de estudos por conta própria, entre vídeos e sites de cutelaria brasileira. Jonathan cita M.S Berardo e Lizandro Bertoni como as referências principais, ao lado de outros mestres da cutelaria gaúcha, além de workshops e feiras que foram completando o aprendizado.
Da chapa à bainha
No aço, Jonathan trabalha principalmente com SAE 5160 e 1095, que diz escolher pela garantia de têmpera e fio resistente — o 1095 aparece muito nas facas de lima que faz. O damasco entra em poucas peças por mês, quase sempre por encomenda, porque ele ainda não tem prensa hidráulica e o processo fica bem demorado. Quando o cliente pede uma lâmina que não oxide com facilidade, usa o inox 420C. Nos cabos, trabalha com madeira, alpaca, chifre e osso.
Praticamente tudo passa pelas mãos dele, da lâmina à bainha, que ainda costura à mão. A têmpera também é feita por ele. Compra apenas a chapa de aço, e eventualmente um cabo pronto em alpaca ou osso torneado — pouca coisa. Diz que talvez pudesse ter expandido mais a produção, mas esse trabalho feito sozinho acabou gerando uma lista de espera na região.
A marca de suas peças está na ponta: ele descreve como formato de lança ou uma leve caída, presente em quase tudo que faz, o que já faz os clientes da região reconhecerem o trabalho. A peça de que mais se orgulha foi também a mais difícil — o primeiro damasco, feito ainda com forja a carvão, sem controle preciso de temperatura, depois de perder cerca de cinco peças até acertar o caldeamento.
O que sai da oficina hoje
Jonathan faz facas gaúcha tradicional, de churrasco, cozinha, caça e pesca, canivetes, cutelos, campeiras e sorocabanas. Aceita encomenda personalizada dentro do que já domina, cobrando metade adiantado, e recentemente comprou uma gravadora a laser para atender aos pedidos de gravação de nome na lâmina e na bainha. Uma faca forjada com colarinho esculpido, a bombinha gaúcha, leva 4 dias; o damasco, 8; uma laminada full tang, 2.
Há uma faca que ele fez com capa de rolamento para um morador da cidade, que trabalha na lida diária e leva a peça todo mês de setembro para afiação e polimento — e que Jonathan chama de sua propaganda viva, pelo fio e pela dureza que a lâmina mantém depois de anos de uso.
A logomarca de Jonathan T., como ele assina, traz as bandeiras do Rio Grande do Sul e do Uruguai, porque fabrica peças para caçadores da região de Treinta y Tres, no Uruguai, onde conquistou clientes fiéis. As peças de Jonathan saem também para fora do país.
A oficina e as peças
Reconhecimento entre colegas. És cuteleiro ou afiador com página no portal e conheces o trabalho de Jonathan?
Reconhecer o trabalho dele