Santa Rosa — RS
Faustino Paveglio
C. Paveglio
Faustino Daniel Paveglio, que assina C. Paveglio, forja facas em Santa Rosa (RS) nas horas livres de policial militar, no galpão que ergueu no fundo do quintal.
- Gaúcha tradicional
- Churrasco
- Cozinha
- Caça e pesca
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- Hunter
- EDC
Faustino Daniel Paveglio é policial militar na Brigada Militar e mora em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul. A cutelaria entrou na vida dele por acaso, depois de uma encomenda que deu errado: mandou um conhecido fazer cabo e bainha para um facão três listras Tramontina e esperou quase um ano por um serviço que não prestava.
Cara levou quase um ano, quando me entregou, cobrou um absurdo, e ficou uma merda aquela faca. Não tinha fio, aí comecei a olhar uns vídeos no YouTube, de como afiar as facas.
Um vídeo foi puxando o outro, e o que começou como afiação de facas de amigos por dez reais foi virando outra coisa. Fez um curso online com o professor Bernardo por volta de 2018, mas só começou a fabricar facas mesmo em 2022, ano em que também fez curso presencial de faca gaúcha forjada com Daniel Jobim. Em 2024 voltou a estudar o tema com Ismael Biegelmaier, também presencial.
Como trabalha hoje
A oficina é o galpão que Faustino construiu nos fundos do terreno. Como não tem prensa hidráulica, forja tudo na mão — o que faz da faca gaúcha e do san mai o seu carro-chefe, por serem os tipos que consegue produzir só no braço. Damasco ele faz, mas apenas por encomenda. Nos cabos, usa madeira natural e estabilizada, e chifre de cervo. Da barra de aço até a bainha, passando pela têmpera, tudo é feito por ele.
Diz que ainda é cedo para falar em assinatura fixa, mas que já reconhece identidade própria nas peças, a ponto de quem o conhece identificar o trabalho sem precisar perguntar.
Uma das encomendas que mais o desafiou recentemente foi uma faca utilitária de caça com cabo feito de uma presa de javali africano, bem curvada.
Difícil de fazer a espiga, difícil de furar, difícil de encaixar e difícil de colar, mas deu tudo certo.
Outra peça nasceu do desenho de um canivete que viu por aí: gostou do perfil da lâmina e recriou o formato numa faca forjada integral.
Encomendas e orgulho
As encomendas personalizadas têm vindo sobretudo na forma de facas hunter de quatro polegadas, para caça de javali. O tempo de produção de uma faca, do começo ao fim, fica em cerca de uma semana, variando conforme a escala de serviço na polícia. Já a fila de encomendas passa de um ano, com peças agendadas para 2028, mas ele segue aceitando novas encomendas. As peças saem também para fora do estado. Sobre qual faca lhe dá mais orgulho, a resposta não escolhe uma só:
Orgulho sinto de todas, me sinto como pai de cada faca que faço.
E resume o ritmo da oficina com uma frase direta: “Minha oficina produz mais churrasco que facas.”
A oficina e as peças
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